Núcleo de Cinema estreia filme rodado em Taboão da Serra
terça-feira, 8 de novembro de 2011As luzes caíram aos poucos na improvisada sala de cinema na casa noturna Pachá, no Centro da cidade Taboão da Serra. Na platéia, cerca de 100 pessoas aguardavam em puro êxtase o início da projeção. Entre um chope e outro, entre uma gargalhada e outra, o público discutia os rumos da cultura na cidade, debatiam sobre as dificuldades da produção e, acima de tudo, estavam ali cheios de orgulho do que foi feito nos últimos cinco meses.
E foi assim, na noite desta segunda-feira, dia 7, que a cidade assistiu a estreia do curta-metragem “Vidas que Seguem”, produção realizada pelo Núcleo de Cinema criado em fevereiro deste ano. Mesmo com tão pouco tempo, mesmo com tantas dificuldades de um ano marcado por surpresas, o grupo exibiu o filme, fruto de uma sadia loucura coletiva.
Contra tudo e contra todos, aquele “grupinho” de Taboão da Serra realizou um filme. Tudo isso na raça e na coragem. Sem grana, sem recursos, optaram pelas melhores matérias-primas que existem: a criatividade e o improviso. E foi assim, com o apoio de empresas da cidade que a ideia deixou o papel e pulou, quase como um milagre, para a telinha.
O filme de 15 minutos conta diversas histórias que acabam se cruzando. O roteiro, escrito por Adílson Figueiredo, narra a vida de pessoas comuns, que dividem os mesmos sonhos e angústias e acabam dividindo também o mesmo espaço, a mesma cidade, o mesmo caminho. No fundo, a história se parece muito com a trajetória dos próprios realizadores.
A gravação do curta durou apenas quatro dias, isso porque a maioria dos equipamentos, alugados, precisava ser devolvida a tempo. Por causa desse delimitador, tudo precisou ser cronometrado e organizado ao extremo. Em todo projeto trabalharam cerca de 20 pessoas na equipe técnica, outros 20 eram atores e quase 60 figurantes. E o mais bacana, todo mundo de Taboão da Serra.
O filme agora entra na fase de dos festivais, por isso não será disponibilizado na Internet. “Vamos tentar ganhar algum prêmio, se não for um Jabuti, pode ser um esquilo mesmo”, brincou Wlad Raeder, um dos idealizadores do projeto. Mas, quem quiser assistir ao curta, poderá ir até a (única) biblioteca da cidade e pegar uma cópia emprestada.
“Vidas que Seguem” é a prova absoluta que existem pessoas ligadas e preocupadas com a cultura tão judiada de Taboão da Serra. O que se produz por aqui é muito maior do que se consegue ver naqueles 15 minutos, isso porque para se fazer, até o que é simples, é preciso suor. Muito suor.
Talvez o filme seja um sopro de esperança para tantos projetos que foram destroçados pelo caminho. Quem sabe essa projeção que aconteceu no coração de Taboão da Serra não seja o início para a volta da escola de bailado, ou do Liceu de Artes ou ainda da esquecida Orquestra Sinfônica que encantou os taboanenses durante sua curta existência?
Agora, se você ainda perguntar: “afinal, o filme é bom?”. Não interessa, o filme foi mais além do que uma simples projeção, “Vidas que Seguem” tem até no título uma mensagem para quem produz cultura na cidade. A vida segue, peguem seus sonhos e vão adiante.
Fonte: O Taboanense
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