Prefeitura faz ação nas duas cracolândias de Taboão da Serra
sábado, 23 de junho de 2012A prefeitura de Taboão da Serra realizou na tarde da última quinta-feira, dia 21, uma grande operação para desarticular as duas cracolândias que existem na cidade. Além da presença da GCM, participaram da ação assistentes sociais, o Samu, Conselho Tutelar e Secretaria da Saúde. Em um dos locais, foram encontradas pedras de crack, um facão e produtos possivelmente roubados.
Os terrenos que viraram ponto de uso de droga estão localizados no Jardim Clementino, nas esquinas das estradas Kizaemon Takeuti Benedito Cesário de Oliveira e na rua Pastor Missionários do Divino,no Jardim Santa Cruz. Os espaços vazios são utilizados pelos usuários de crack, que consomem a droga em plena luz do dia.
A primeira ação aconteceu no terreno do Jardim Clementino. Cerca de 20 usuários foram abordados pela GCM e pelas assistentes sociais que ofereceram tratamento no CAPS Álcool e Drogas. Uma das usuárias precisou ser socorrida pelo Samu, ela estava tendo um ataque de asma.
Expostos a doenças, devido aos lixos espalhados ao redor do ambiente, e sofrendo preconceito pelas pessoas das redondezas, alguns desses dependentes químicos vivem naquela situação por opção. É o caso de uma senhora de aproximadamente 50 anos, que pediu para não se identificar.
“Eu sou usuária de drogas desde os meus 19 anos. Já tentei me tratar, mas sempre fugia das clínicas. Eu já trabalhei de carteira assinada e ganhava um salário de dois mil reais. Porém, a separação do meu ex-marido, por conta do meu vício, me desmontou”, revela a senhora com cabelos louros e com as roupas sujas de lama.
Emocionada quando fala da família e dos filhos, ela demostra qual seu ponto fraco. “Tenho dois filhos, que hoje vivem com meu ex-marido. Eles estudam e trabalham. Eu tenho pouco contato com eles, pois tenho vergonha de minha aparência e de ‘agredi-los’ com minha situação, Mas, o que importa é que eu amo eles e eles me amam”, conclui.
Os assistentes sociais prestaram todo atendimento aos dependentes químicos, mostrando vontade e disposição de ajudá-los a sair da situação da melhor forma possível. A voluntária Izabel Rodrigues conta que essas pessoas precisam querer sair dessa vida, procurando ajuda dos familiares e amigos mais próximos.
“Nosso trabalho é feito pela conversa, assistência médica e psicológica dessas pessoas. Acabamos de ver uma senhora com pneumonia, que será atendida pelo Samu. Muito deles têm pessoas que podem dar um auxílio. O que precisamos é mostrar que é possível sair dessa situação”.
Representante da Secretaria de Segurança Pública de Taboão da Serra, o Coronel Silas Santana conta que é preciso ter paciência com os usuários, dando o suporte necessário para reeducá-los. “Nós queremos dar uma condição melhor para eles, pois muitas dessas pessoas são humildes e não têm para onde e a quem socorrer. Com o apoio da GCM e dos assistentes sociais, é possível convence-los a se tratar no CAPS e não ter uma recaída”.
Já no bairro do Jardim Santa Cruz, as autoridades perceberam um perfil diferente nos dependentes químicos. Bem vestidos, alguns usuários levantavam a suspeita de praticarem roubos e trafico de entorpecentes. No local, foram encontradas mercadorias furtadas, como um jogo de xícaras e copos. Em seguida, foram feitas revistas no terreno e encontrados facas e canivetes no espaço.
O trabalho de recuperação dos usuários vai continuar nos próximos dias. Assistentes sociais tentam uma parceria com a prefeitura de Taboão da Serra para dar uma maior assistência aos dependentes químicos. De acordo com os profissionais, a falta de estrutura e de um local apropriado para eles é o maior problema que impede a redução do número de pessoas nessa situação.
Como a sociedade enxerga os dependentes químicos
Moradores da região estão divididos em relação em como deve ser solucionado o problema das drogas e o que fazer com os usuários. O comerciante Jorge Luiz, de 28 anos, que trabalha ao lado da cracolândia, revela que sua casa já foi furtada por um dos dependentes químicos e que acabou fazendo justiça com as próprias mãos. “Esses ‘bandidos’ invadiram minha casa e levaram todo o material que eu tinha do meu trabalho. Meu prejuízo chegou a quase R$ 2 mil. Eu e meus amigos ‘descemos a porrada’ neles, para ver se aprendem a lição. Mas não tem jeito. Eles acabam voltando para cá e fumam o dia inteiro. Eu acho que eles deveriam obrigados a ser internados e não saírem mais nas ruas “.
Outro comerciário da região, Felipe Santos, de 17 anos, acha que a única solução seria matando os dependentes químicos, pois eles são um perigo para a sociedade. “Eles são bandidos. Precisamos matar eles, para termos sossego. Eles afastam nossa freguesia e cometem crimes nas ruas”, diz.
Fonte: O Taboanense
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