Vereadores decidem hoje sobre impeachment de prefeito de Taboão da Serra
quinta-feira, 25 de agosto de 2011Os 13 vereadores guia de Taboão da Serra (Grande São Paulo) votam na noite desta terça-feira os pedidos de afastamento e de impeachment do prefeito da cidade Evilásio Cavalcante Farias (PSB).
Por volta das 19h, a Câmara Municipal de Taboão estava cercada por cerca de 3.000 manifestantes que acompanham a votação.
Ao todo, a Polícia Civil instaurou 20 inquéritos policiais para investigar irregularidades na gestão de Farias.
Uma das investigações diz respeito a esquema para fraudar o sistema de arrecadação de multas da cidade. De acordo com a Polícia Civil, entre janeiro de 2006 e abril deste ano, dos 12.651 recursos para reverter multas de trânsito em Taboão, 7.080 foram aceitos, muitos a partir de pedido de políticos locais.
Com isso, Taboão deixou de recolher cerca de R$ 1 milhão com multas. Uma das multas aplicadas e que não foi paga por causa de recurso, no valor de R$ 127,69, foi aplicada em um carro registrado em nome do prefeito Evilásio Cavalcante Farias (PSB).
Nesta terça-feira a Polícia Civil cumpriu 52 mandados de busca e apreensão para a investigação do caso.
OUTRAS INVESTIGAÇÕES
Além da questão das baixas irregulares nas multas, a gestão de Farias está sob suspeita de ter usado verba pública para pagar a defesa de 7 das 22 pessoas que estavam presas sob a acusação de fraudar a arrecadação de IPTU em sua própria gestão.
Mensagens eletrônicas trocadas entre um empresário e um advogado levantam suspeitas sobre a existência do suposto esquema de uso de dinheiro público para patrocinar a defesa de acusados. O valor da defesa foi fixado em R$ 700 mil.
Os e-mails indicam que o prefeito Farias teria usado a Construtora Etama, que presta serviços no município, para patrocinar a defesa de secretários municipais e vereadores presos. Farias sempre negou o patrocínio da defesa dos acusados de fraude.
Outro dos inquéritos policiais em andamento sobre possíveis crimes na gestão de Farias em Taboão da Serra tem como alvo o jornalista Wagner Florêncio Império.
O jornalista é investigado sob suspeita de retransmitir informações da apuração policial aos acusados de fraudar a arrecadação de tributos em Taboão. Ele é alvo de um inquérito policial por formação de quadrilha e peculato.
“As informações do relatório [da polícia] não passam de ilações. Fiz meu trabalho de jornalista. Fui atrás da notícia”, disse Império. “A polícia terá de provar tudo o que está escrito ali”, continuou.
Na semana passada, o prefeito Farias e a vice-prefeita de Taboão, Márcia Regina (PT), foram à Assembleia Legislativa de São Paulo pedir apoio contra o que classificam como “ação política” da Polícia Civil contra eles. Nenhum deputado do PSB, partido de Farias, compareceu ao discurso.
FACÇÃO CRIMINOSA
Um dos vereadores aliados de Farias e que participará da votação pela sua saída ou não da Prefeitura de Taboão da Serra é José Valdevan de Jesus, o Valdevan Noventa, do PDT.
Diretor de finanças do Sindmotoristas, entidade que representa a maior parte dos motoristas, cobradores e fiscais de ônibus da cidade de São Paulo, Jesus é investigado pela Polícia Civil sob suspeita de usar uma cooperativa de vans e ônibus de transporte público para lavar dinheiro obtido pela facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).
A suspeita é a de que o vereador Jesus use a cooperativa para lavar o dinheiro proveniente do tráfico de drogas na favela de Paraisópolis, na região do Morumbi (zona oeste de São Paulo), uma das maiores da cidade.
O vereador Jesus sempre negou envolvimento com a facção criminosa e diz ser “alvo de perseguição por parte da polícia” por conta de sua atuação como político e como sindicalista. Procurado desde ontem pela reportagem, ele não foi localizado.
Nos anos 90, Jesus já foi indiciado em inquéritos policiais sob a acusação de roubo, estupro, homicídio e outros crimes e não foi condenado.
De acordo com a Polícia Civil, nos últimos 18 anos a disputa pelo poder entre sindicalistas do Sindmotoristas já causou a morte de ao menos 16 pessoas. Uma dessas mortes ocorreu em Guarulhos, na Grande São Paulo, quando um sindicalista ia buscar o vereador Jesus no aeroporto de Cumbica.
Fonte: Jornal de Floripa
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